

É um dispositivo de monitoramento popular das transformações socioambientais. O principal objetivo do Observatório é criar instrumentos de empoderamento das sociedades civis locais ao dar aos moradores condições de observar, regular e gerir o ambiente do qual fazem parte. Através do monitoramento ambiental popular, os monitores do Observatório acompanham e documentam os processos e conflitos ambientais relevantes para a sua região. O Observatório se torna referência de espaço social de aprendizado e inclusão para as comunidades locais.
A missão do Observatório Ambiental Humano Mar é funcionar como um dispositivo de monitoramento popular das transformações socioambientais em curso na região da Bacia de Campos.
As cidades da Bacia de Campos, no litoral norte do Rio de Janeiro, vivem um processo acelerado de transformações econômicas e sociais, impulsionados pelo crescimento da indústria do petróleo. Os impactos que acompanham o desenvolvimento econômico são o crescimento urbano desordenado, a ocupação irregular de áreas de preservação ambiental, a poluição das águas e o desmatamento de manguezais. As culturas tradicionais locais também são afetadas. Através do Observatório Ambiental os moradores da região monitoram e discutem esses problemas, questionam a aplicação dos royalties do petróleo e avaliam os contrastes nas condições de vida entre áreas rurais, urbanas, de periferias, turísticas e de favelas.
O monitoramento ambiental popular é uma ferramenta cada vez mais utilizada pela sociedade e pelos órgãos governamentais para fiscalizar o uso dos recursos naturais e garantir a preservação ambiental. Trata-se de um instrumento de empoderamento da população, que se torna protagonista de ações para a transformação social e de suas próprias trajetórias. Por meio do monitoramento, os cidadãos avaliam e monitoram as transformações socioambientais de sua região. Ao comunicar à sociedade os problemas ambientais identificados, estes cidadãos se tornam protagonistas sociais, uma vez que os monitoramentos levam à construção de conteúdos que provocam a conscientização e a mudança de comportamento e estimulam o exercício de cidadania pela cobrança, pela proposição e pela fiscalização de políticas públicas.
O Observatório Humano Mar é desenvolvido no âmbito do Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo da Devon Energy do Brasil, licenciado pelo IBAMA e gerido pela Abaeté Estudos Socioambientais de forma compartilhada com os monitores ambientais organizados nos Observatórios Locais de suas cidades.
De acordo com as leis brasileiras, toda empresa produtora de petróleo precisa promover projetos de educação ambiental nas cidades situadas na área de influência de sua atividade.
A Devon transforma a obrigação em oportunidade. O Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo começou em 2007, com o início das atividades de produção de petróleo da Devon no Brasil. Ao estimular o protagonismo social e o empoderamento das populações locais de sua área de influência, a Devon pode compreender o impacto causado pela inserção da indústria do petróleo nas cidades da Bacia de Campos. E por entender a realidade dessas populações, a Devon identifica as demandas sociais e se torna parceira da região. Ao lidar com público tão diversificado em tamanha área de abrangência, o PEA encontrou no sistema de redes a maneira de reunir indivíduos, grupos e instituições, de forma democrática e participativa, em prol de objetivos e temáticas comuns.
Desenvolvido pela Abaeté Estudos Socioambientais, o projeto utiliza o cinema para produzir diagnósticos participativos e monitoramento ambiental. Nele, a própria comunidade avalia, aponta e acompanha as questões ambientais e sociais que precisam ser resolvidas em seus municípios.
O sucesso deste Projeto de Educação Ambiental se efetivará na medida em que o Observatório Ambiental Humano Mar tiver autonomia suficiente para se desenvolver para além da área de influência e do tempo de produtividade de petróleo no Campo de Polvo. Para isso, o protagonismo popular é um dos princípios básicos do projeto e faz parte de sua metodologia de ação.
No primeiro ano do Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo, moradores das dez cidades contempladas participaram das Oficinas de Cinema Ambiental Humano Mar. Nas oficinas, os alunos foram incentivados a conhecer e pensar conteúdos como pesquisa social, cidadania, educação ambiental e sustentabilidade. Como a linguagem a ser utilizada como instrumento de conscientização foi a cinematográfica, os alunos também tiveram aulas de documentário, pesquisa social, meio ambiente, fotografia, iluminação e equipamentos de filmagem.
Os alunos das Oficinas Humano Mar foram às ruas para documentar em linguagem audiovisual os problemas socioambientais que vivenciam. Essas oficinas resultaram em 30 filmes dirigidos pelos próprios alunos que retratam a degradação dos recursos naturais e os impactos na cultural local.
Os alunos das Oficinas de Cinema Ambiental Humano Mar foram incentivados a pensar, de forma crítica e processual, os conflitos ambientais presentes em seus municípios. Das reflexões resultaram conteúdos audiovisuais que discutem problemas de infra-estrutura, juventude, gênero, desemprego, impactos na pesca artesanal, sobrevivência e conflitos na destinação dos resíduos sólidos, avanço do mar e desvalorização das culturas tradicionais locais.
São alunos de diferentes classes sociais, idades e vinculações políticas, que durante as oficinas trocaram saberes e experiências. Eles são, em sua maioria, estudantes e professores da rede pública, universitários, pescadores, donas de casa, trabalhadores da indústria de petróleo, gestores públicos e profissionais da cultura, da comunicação, do meio ambiente e das mais diversas áreas.
Os protagonistas das histórias são pescadores, quilombolas, catadores de lixo, ambientalistas, turistas, moradores de favelas e de áreas de preservação ambiental, jovens urbanos e rurais, homens e mulheres, crianças e idosos, que falaram como percebem e vivenciam os impactos ambientais.
Os documentários, além de provocarem os realizadores e os expectadores a uma reflexão sobre o futuro do mundo, expõem as situações que estão ameaçando diretamente a existência de categorias sociais e de ecossistemas específicos. Muitos dos casos demandam não só a tomada de consciência e discussões momentâneas, mas um acompanhamento que viabilize uma ação protagonista e transformadora, seja pela via cultural, seja pela via política.
Após a finalização dos filmes, o projeto iniciou a exibição dos curtas-metragens em praça pública. Durante os Fóruns Ambientais do Campo de Polvo, as populações locais assistiram aos documentários e debateram os temas apresentados através da metodologia de Câmera Aberta, experimentada em veículos comunitários de comunicação, como a TV Pinel e a TV Maxambomba. Na Câmera Aberta, o debate público é transmitido por telão em tempo real e é conduzido pelos próprios alunos das oficinas, que atuam como repórteres e cinegrafistas.
A opção por este formato de fórum possibilitou a elaboração e a comunicação de propostas e soluções para os problemas socioambientais, com vistas a fomentar a democracia participativa, na qual o conhecimento empírico, o saber popular e as visões de categorias como pescadores, quilombolas, catadores de lixo e professores também são considerados. Nos Fóruns Ambientais, a metodologia esquentou os debates, que se transformaram em Agendas Ambientais Audiovisuais. Assim como as demais agendas ambientais, estes documentos sistematizam as preocupações e sugestões sobre temas latentes para as comunidades locais. O diferencial é o uso da linguagem audiovisual, que é comprovadamente eficaz na difusão de conteúdo, tem efeito sensibilizador e transforma expectadores em protagonistas da intervenção.
Em agosto de 2008, o Encontro Humano Mar reuniu os alunos e os dinamizadores das Oficinas de Cinema Ambiental, representantes do IBAMA e convidados da sociedade civil. O Encontro marcou a fundação do Observatório Ambiental Humano Mar e o lançamento dos Observatórios Ambientais Locais.
Nesta nova etapa do Projeto de Educação Ambiental, alunos das Oficinas se tornam monitores ambientais dos Observatórios Locais.
Os monitores, como protagonistas do monitoramento, são produtores e difusores de conhecimentos para conscientização, discussão e mobilização em benefício da sociedade e do meio ambiente.
Os alunos das Oficinas de Cinema Ambiental Humano Mar diagnosticaram os problemas socioambientais de suas cidades, agora eles se tornaram monitores ambientais e acompanham o desenrolar destas questões. Ao mesmo tempo, se tornam agentes multiplicadores e difundem o conhecimento adquirido no projeto em suas comunidades.
Para o monitoramento serão utilizados os recursos da linguagem audiovisual, da pesquisa social e da internet. Os participantes produzem conteúdos que monitoram as questões socioambientais de sua região - como filmes, fotos, reportagens e textos - e os disponibiliza para a sociedade. Um desses canais de difusão é este portal Humano Mar.
O Portal Humano Mar reúne participantes de diversas categorias. São monitores, interlocutores e dinamizadores que trocam conteúdos e experiências ao longo dos monitoramentos locais.
Monitores são todas as pessoas interessadas em acompanhar as questões socioambientais de sua região, que podem postar novas produções, audiovisuais ou escritas, sobre o assunto monitorado. Os monitores ambientais são os principais colaboradores do Portal, já que, através da postagem de textos, vídeos, fotos e demais conteúdos resultantes do monitoramento, mantêm o fluxo de informações e o fórum de debates do Portal.
Quem não atua como monitor, mas tem interesse em somar forças a este projeto, está convidado a se tornar um interlocutor. Os interlocutores são pessoas que não pertencem aos Observatórios Locais da área de influência do Campo de Polvo, mas estão interessadas em trocar informações e conteúdos sobre suas cidades e participar do fórum de debates do Observatório. Através da participação em eventos e como colaboradores do Portal, com direito, assim como os monitores, à página de perfil e a postar textos, fotos e link de vídeos, os interlocutores ampliarão a rede de relacionamento e os conteúdos do Observatório.
Já aqueles que participaram como orientadores no Projeto de Educação Ambiental são os dinamizadores. Eles abastecem o portal com conteúdos e discutem os projetos audiovisuais. O papel do dinamizador é dar continuidade ao intercâmbio de informações e fornecer materiais de pesquisa para os monitores.
O portal Humano Mar é um mecanismo de difusão dos conteúdos produzidos nos monitoramentos ambientais. É um portal colaborativo no qual os monitores ambientais e demais interlocutores postam suas opiniões e os resultados de seus monitoramentos em tempo real às situações documentadas.
O portal também tem a função de construir uma rede de relacionamentos e de saberes sobre o meio ambiente e disponibiliza os conteúdos produzidos pelo Observatório em um canal de livre acesso para a sociedade. Ao acessar este banco de dados, é possível ter informações sobre problemas que ocorrem ao mesmo tempo em diferentes lugares. Além disso, quem navega no portal pode acompanhar as transformações ambientais ao longo do tempo, em lugares diversos.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. O Ibama exerce o poder de polícia ambiental e também executa, por meio da Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic), ações das políticas nacionais de meio ambiente relativas ao licenciamento ambiental, ao controle da qualidade ambiental, à autorização de uso dos recursos naturais e à fiscalização, monitoramento e controle ambiental. A Coordenação Geral de Petróleo e Gás (CGPEG), órgão subordinado à Dilic, é o responsável por monitorar o Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo, condicionante para o licenciamento das atividades da Devon Energy do Brasil.
Através do processo de licenciamento ambiental, o IBAMA determina que os empreendimentos que gerem impactos ambientais realizem, sob a forma de condicionantes, projetos de Comunicação Social, Monitoramento Ambiental, Controle de Poluição e de Educação Ambiental, entre outros.
No caso dos projetos de Educação Ambiental, o IBAMA recomenda que sejam implementados a partir de diagnósticos participativos, onde a própria população esteja envolvida na busca das soluções para as questões socioambientais vivenciadas.
A Devon Energy do Brasil é uma companhia internacional de exploração e produção de petróleo, sediada nos Estados Unidos e estabelecida no Brasil desde 1999. Atualmente, a Devon participa de oito blocos de exploração de petróleo no país: seis na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, um na Bacia de Barreirinhas, no Maranhão, e outro na Bacia de Camamú-Almada, na Bahia.
O Campo de Polvo é o primeiro projeto da Devon de produção comercial de petróleo no país. Situado na Bacia de Campos, o Campo de Polvo fica a uma distância de 98 quilômetros da costa, em águas com aproximadamente cem metros de profundidade. Desde 2006, a Devon investe no Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo, no qual a população utiliza a linguagem audiovisual para produzir diagnósticos participativos sobre os problemas socioambientais de sua região.
A ABAETÉ Estudos Socioambientais é uma empresa de consultoria com grande experiência em pesquisa socioambiental em diversas regiões do país.
Em seus trabalhos a ABAETÉ prioriza a análise social com ênfase na metodologia antropológica e na produção de documentários como recursos para o desenvolvimento de estudos e projetos sociais na área ambiental.
Através de uma ação diferenciada em Educação Ambiental e Comunicação Social de grandes empreendimentos, a empresa tem se destacado pelo desenvolvimento de novas metodologias que envolvem comunicação popular, inclusão digital, antropologia visual, diagnósticos participativos, monitoramento ambiental e protagonismo social.
Baseada em forte compromisso ético com valores humanistas, a Abaeté é especializada no uso das ferramentas do audiovisual, no resgate da cidadania de populações tradicionais e da memória local.
Desde 2007, a Abaeté desenvolve o premiado Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo da Devon Energy do Brasil.
Em junho de 2008, o Projeto de Educação Ambiental do Campo de Polvo, mantido pela Devon Energy do Brasil e implementado pela Abaeté Estudos Socioambientais, recebeu o Prêmio Brasil Ambiental da Câmara de Comércio Americana.
O PEA foi contemplado na categoria Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável e o uso do audiovisual como diagnostico participativo foi reconhecido como um relevante projeto de responsabilidade social.