Gente, desculpe a demora, mas estava sem computador.
Aí vai o resumo do que ocorreu!
A reunião pública da Câmara Técnica da Lagoa de Imboassica já havia começado quando pude chegar. Estava passando o filme de abertura, “Indefeso”, de Aline e Cia. Após o filme, Guilherme Sardenberg abriu a palavra aos componentes da mesa, mas antes deixou claro que a reunião era pública e não era de “governo”. Na mesa, sentimos a falta do Tio Jorge, pescador tradicional e conhecido nosso de outras oportunidades.
O Front técnico estava representado na mesa pela Prof.ª Maria Inês, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Engenharia Ambiental do IFF, Prof. Francisco Esteves, Diretor do Nupem e pelo Prof. Arlindo Filho, especialista da Fiocruz em Chironomídeos, família de insetos que infestaram a região em torno da Lagoa após a mortandade de peixes. A explanação destes técnicos trouxe algumas novidades, mas reiterou o que já sabíamos. A Prof.ª Maria Inês, baseada em estudos recentes feitos pelo Biólogo Guilherme Sardenberg, mostrou que a qualidade da água da bacia do Rio Imboassica perde qualidade de maneira crítica, a partir do ponto de descarga de efluentes do Parque de Tubos, área industrial em torno da Lagoa. O Prof. Chico Esteves reiterou sua posição sobre os principais problemas vividos pela Lagoa Imboassica: Crescimento urbano provocando assoreamento na lagoa e despejo de esgoto “in natura”. Ele mostrou dados recentes de que a água próximo à saída do canal do Novo Cavaleiro, que recentemente sofreu obras por parte da Prefeitura, com o intuito de alargá-lo para maior escoamento das águas pluviais do bairro de mesmo nome, apresenta pH extremamente alto, alterando de maneira violenta as características físico-químicas da água da lagoa. Já o especialista nos Chironomídeos, deu uma aula sobre os mosquitos, mas o mais importante é que ele afirmou que a revoada de mosquitos não tem nenhuma relação com a mortandade de peixes. A grande quantidade de mosquitos está relacionada a um estado de estresse, provocado por alteração desfavorável no ambiente, no caso a Lagoa Imboassica.
O Governo estava representado na mesa pelo secretário de meio ambiente, Maxwell Vaz, e pelo Presidente da ESANE, Marcos Túlio, que estava na platéia. Maxwell se limitou a falar do compromisso do prefeito em 2010, em priorizar o saneamento da Lagoa Imboassica. Marcos Túlio, afirmou que logo que a estação do Mutum for entregue pronta pela Secretaria de Obras, a ESANE irá se responsabilizar por sua operação. Afirmou ainda que as obras de ligação das redes coletoras são obras pequenas, e por isso, fáceis de solucionar. Informou também que já estão estudando um programa de saneamento da lagoa, confirmando o intuito do prefeito em dar prioridade ao saneamento da Lagoa Imboassica.
O que não ficou explicado, pelo menos até o momento em que eu estive no local, foi por que a estação do Mutum foi inaugurada sem estar pronta? Odorico Paraguassú não teve a mesma sorte em inaugurar o seu cemitério, pois precisava de um defunto! Já o Riverton, só precisou de uma data! O que está efetivamente faltando para que a estação funcione? Por que a ESANE está elaborando um novo plano de saneamento, se o próprio Prof Chico Esteves falou anteriormente que já existe um plano elaborado por “pratas da casa”, engenheiros da própria SEMOB, o qual ele teve acesso e o considera de ótima qualidade?
O que ficou claro para qualquer cidadão presente era que, as informações técnicas sobre a lagoa e seus problemas estão bem consolidadas por anos de pesquisa e acompanhamento. Já a ação do poder público, tem sido de descaso em relação ao crescimento desordenado do entorno e de inércia no que se relaciona aos problemas ambientais da lagoa. Suas ações são pautadas pelas pressões do Ministério Público e pelos moradores do entorno, que quer ver seus problemas de cheias resolvidos. Continuamos somente com promessas! A população, por sua vez, parece oscilar entre a preservação da lagoa e seus interesses de urbanização. Como disse o Prof. Chico Esteves, Macaé precisa decidir se quer “nadar” nas águas da lagoa, ou “andar” em seu solo!
por Artemio Macedo em 08.02.2010